México Ancestral



Tive o imenso prazer de visitar o México e essa é uma experiência que não tem como passar despercebido o quanto isso me transformou. Sinto que conhecer as culturas Mexicana, Zapoteca, Mixteca e outras tantas - pois são muitos povos nativos pré-hispânicos - me fez perceber o quanto preservar a sabedoria e cosmovisão dos povos nativos e originários é essencial para o futuro.


Antes de mais nada, os mexicanos são pessoas muito amáveis com uma história culinária e têxtil muito forte e presente. A cultura é vibrante, super colorida e com muitas lendas e tradições. Fiquei alguns dias em Oaxaca, Cidade do México e Tulum.


Oaxaca foi sem dúvida onde senti que estava mais conectada com a cultura local. A cidade respira tradição; e uma visita ao sítio arqueológico de Mitla foi revelador e impressionante. Os padrões têxteis que encontrei nas vestimentas estavam nos muros em pedra, tudo bem impressionante.




Aprendi um pouco sobre vestimentas e alguns termos como: Huipil, Quechquemitl e Rebozo. Todos trajes típicos de uso diário.


Eles não só são diferentes em função, mas também em modelagem, assim como possuem pequenas diferenças de acordo com cada comunidade e povo. Mas o que mais me chamou a atenção é o fato de que são confeccionadas a mão usando formas geométricas simples como o quadrado e o retângulo, sem cortes de tesoura, ou seja o tecido que sai do tear de cintura - que é o tear usado para criação de roupas desde a era pré-hispânica e usado no México até hoje - é 100% preservado em sua integridade, não havendo desperdício de tecido. Isso não é lindo?! ;D


Além do mais para eles um tecido feito no tear não se corta nunca, pois dessa forma estaríamos cortando a história que é contada nos bordados e tramas entrelaçadas e cuidadosamente tecidas.




O tear de cintura acima mostra bem essa ideia de "contação de história" ao tecer, os dedos da tecelã levantam os fios exatos para criar os padrões que estão em sua mente, nenhum tipo de papel ou anotação é usado, tudo é falado e tecido.



O Huipil é uma camiseta curta ou longa como um vestido, onde é realizado bordados distintos dependendo da região e cultura da comunidade.

Ele tem uma estrutura quadrada e seu decote varia entre redondo, "V" ou quadrado.


Pode-se ter Huipils construídos com uma única faixa retangular de tecido dobrado ao meio ou com dois ou três faixas de tecido costuradas à mão. As vezes são usadas fitas coloridas na junção dos tecidos.




O Quechquemitl é um acessório usado mais comumente como um xale ou poncho.



O Quechquemitl é construído com dois retângulos costurados de tal forma que criam uma espécie de xale.


Ele pode ser bem curto para cobrir apenas os ombros ou comprido como um poncho e também é usado com o decote reto no pescoço virando o xale de lado.





Já o Rebozo é um tecido longo retangular sem costura, muito parecido com um echarpe ou xale.

Ele é uma peça sem costura que é usado de diversas maneiras, dobrado ou enrolado na cabeça ou no corpo e tem muitas finalidades.

É usado para proteger do sol e do calor, é uma peça usado como "sling" para carregar crianças, é usado no trabalho de parto para segurar a gestante e também pode ser usado como mortalha.



Como é maravilhosamente rica essa cultura! ❤️💙💛🧡💚💜


Esse quadro a seguir, é um mostra de vestimentas de cada comunidade mexicana. A foto foi tirada por mim no Museo Têxtil de Oaxaca.






Ter contato com esses povos e sua cultura in loco é mais que um regalo, é uma experiência que recomendo para toda tecelã ou designer têxtil que pretende aprofundar seus conhecimentos em modelagem, padronagem e tessitura.